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No caminho com Rodrigo Madeira

1. Você nasceu em Foz do Iguaçu, em 1979. Veio menino para Curitiba. A descoberta da poesia, onde? Se meus pais me obrigassem a jogar bola, eu acharia uma merda. Se me obrigassem a comer doce, eu teria vontade de vomitar. E foi assim com a leitura. Eu era um menino solto, apesar de muito tímido. Queria soletrar amoras no pé, aprender o alfabeto dos peixes e a última piada de português. Literatura, poesia eram palavras que eu não conhecia. Eu era analfabeto. Fui analfabeto até uns 14, 15 anos. Tudo o que eu lia ou estudava era um exercício de Sísifo. Eu não conhecia a magia negra e a epifania das palavras. Eu fazia análise sintática com o desencanto de um necropsista que escolheu a carreira errada, sem a alegria que eu sentia, por exemplo, ao desmembrar formigas. E quando eu lia alguma coisa que não fosse o gibi da Mônica, aquilo não era uma possibilidade de beleza e descoberta e enigma; aquilo era um pé no saco, uma lição de Português, Comunicação Social na minha época. Eu tirava notas...
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No caminho com Carlos Barros

  Painho de La Mancha -ilustração do filho de Carlos Barros:  George Brayner * Em 1988 quando Carlos Barros chegou por aqui eu estava grávida do meu filho caçula Thomas e não havia retomado a escrita, o que iria acontecer apenas em 1.992 quando rabisquei meu primeiro poema depois de muitos anos. Eu enterrei por anos o sonho de ser escritora. A semente guardada no escuro de mim, aquecida. Por mais que eu me deslumbrasse diante dos poetas e das poesias não conseguia vislumbrar isto - a minha poesia saindo de mim para o papel. O “culpado” ou um grande grau de “culpa” de iniciar minha jornada poética foi mesmo do Carlos Barros. Lembro do seu interesse e uma ânsia dele, e que era mesmo a bandeira do Carlos - divulgar a poesia. Lembro do disque-poesia. Lembro que deixei por inúmeras vezes livros nos bancos das praças e nos cafés e nos ônibus. Lembro da poesia na vidraça. E sei que cada afago ou chibatada que recebo por conta da poesia tem um “culpado” lá no passado que ficou muito t...

No caminho com Rollo de Resende

  . Cartão postal - Rollo de Resende . Rollo de Resende era o moço alto de aura leve que eu via passar pela Rua XV e, vez por outra, na Feira do Poeta. Talvez por ser alguém em quem pousei o olhar eu o sinto mais próximo de mim que Leminski e Marcos Prado. Vejo Leminski através de um véu. Vejo Marcos Prado através de um véu. Rollo de Resende eu toco em poesia pela imagem que bebi, e pela fala de amor da Stella, sua irmã poeta e minha amiga há quase dez anos, Stella retira os véus. Stella compartilha, conta como foram os dias de poesia ao lado do irmão. Stella uma poeta que se recolhe, que ainda não se aproxima do verso, pois ao lado dele está a ausência. Rollo era artista plástico, artesão, poeta, zen nos gestos e na fala. A voz calma é o carimbo da alma. Os quadros que ele deixou, os cartões onde pássaros pousavam em fios elétricos. Minímos pássaros, e para compor seus corpos ele utilizava as pétalas minúsculas das sempre-vivas. Trago sempre gravado em fogo o seu conselho aos poet...